and true love waits in haunted attics.

fevereiro 2011

Fevereiro chegou cheio de sol, a oferecer-nos almoços em esplanadas à beira-rio. No inverno, a comer sushi numa esplanada à beira-rio – somos pessoas cheias de sorte! Mantive os jantares cá em casa, com amigos e família, celebrámos aniversários e vi a Primavera invadir devagarinho o jardim dos meus pais.

Fevereiro foi também o mês de receber um envelope cheio de Japão e de descobrir como o Fábulas é o espaço ideal para jantares confortáveis entre amigos e copos de vinho. Se andam à procura do melhor cheesecake da cidade, vão lá.

parque das nações

massa de arroz

japan

fábulas

fábulas

primavera

primavera

janeiro 2011

Voltei a deixar o blog ao abandono, como tantas vezes acontece. E tinha tantos posts planeados. E tinha tanta vontade de escrever. Alguns ainda virão, outros deixaram de fazer sentido.

Hoje começarei a fazer um resumo do que foi o meu 2011. A ideia não é original, nem é minha. A Hilda fê-lo e eu gostei. Porque não fazer também? Assim será menos deprimente olhar para a minha lista de objectivos – já que ficaram tantas coisas por fazer. Mas fiz muitas outras, que não tinha planeado. E li imenso, como queria.

Comecemos, então.

évora

madrid

calle de atocha

tapas dinner

beijos de morango

Janeiro começou em Évora, cidade que escolhemos para passar o fim-de-ano e o destino da nossa primeira viagem no nosso primeiro carro. Dias depois, partimos para Madrid, de que tínhamos tantas saudades. Foram dias de passeios e petiscos deliciosos. O resto do mês foi passado na cozinha, a planear jantares para amigos e novas experiências. Comemorámos o nosso segundo aniversário a partilhar uma casa e assistimos ao primeiro concerto do ano – a Joanna Newsom no CCB. Precioso.

o livro dos homens sem luz

Comecei o ano com o João Tordo e o seu O Bom Inverno e termino com O Livro dos Homens Sem Luz. É muito, muito bom. Confesso que ao início pensei que não estivesse ao nível do outro, mas estava enganada (muito!). A certa altura, torna-se impossível parar de ler, tal é a força com que somos puxados para dentro da história.

O João Tordo caminha rapidamente para o topo da minha lista de preferidos.

Para ser exacta, O Livro dos Homens Sem Luz não será a minha última leitura de 2011 porque já comecei a ler o 1Q84 do Haruki Murakami. Tenho a versão britânica, com as três partes juntas, o que me faz prever que este será o livro que me fará companhia até… Fevereiro. Em casa, leio a versão em papel, no metro leio no kindle e este diz-me que ainda só li 10%.

domingo no sofá

Tinha muitos planos para o fim-de-semana e não fiz quase nada. Ontem foi noite de celebrar o aniversário do Filipe e hoje não nos conseguimos levantar antes da hora de almoço. Acordei com fome e com vontade de comer arroz de marisco. E assim foi.

Um arroz simples, de camarão, amêijoas e delícias do mar, que soube especialmente bem por estarmos neste estado de domingo-que-vai-ser-passado-no-sofá.

arroz de marisco

Como não fui passear por Lisboa no eléctrico vermelho, como tinha pensado, vou aproveitar para escrever mais sobre Berlim. Mas também é possível que fique só a preguiçar no sofá e a ver filmes (e que pena que amanhã seja já segunda-feira!).

o outono em berlim

Já passou um mês desde que estivemos em Berlim e ainda me é muito difícil arrumar tudo na  memória. Berlim é talvez a maior cidade onde já estive. Tão grande que uma semana não chegou para ver nem metade daquilo que tinha planeado. Talvez um mês fosse suficiente.

Em Berlim encontrámos a Ana e o Paulo (que tão bem nos voltaram a acolher), Bon Iver (num concerto perfeito), muita história e o Outono.

berlin

berlin berlin

berlin

berlin

comida que aconchega

Há coisas indispensáveis de ter na cozinha, os camarões são uma delas. Inteiros ou só miolo, fica ao critério de cada um, mas quando não tivemos tempo de ir às compras e não há nada descongelado, fazem-se óptimas refeições usando camarão, que não precisa de ser descongelado com muita antecedência.

Hoje acordei a pensar em moqueca de camarão, que para mim entra na categoria de comfort food. Uma receita simples e deliciosa (e esta ficou especialmente boa!).

moqueca de camarão

Coloca-se o óleo de palma a aquecer. Quando estiver totalmente líquido, junta-se a cebola e o alho picado (a receita original pede a cebola às rodelas, mas para mim tem de ser picadinha), refoga-se durante uns minutos e juntam-se os pimentos vermelho e verde e o tomate picado. Deixa-se cozinhar por cinco minutos ou até estarem amolecidos, tempera-se com sal e pimenta e junta-se o leite de côco. Deixa-se ferver durante uns quatro minutos e juntam-se os camarões. Quando estiverem cozinhados, tempera-se com salsa picada e baixa-se o lume para apurar. Sirvo sempre com arroz, neste caso basmati.

prato improvisado

“O Prato Improvisado é o primeiro supper club português, e quer ser um encontro informal, despretensioso e saboroso, acompanhado por boa música e boa companhia. Um almoço para desfrutar de novos sabores e conversar sem pressa, tudo à volta do prato. O menú é elaborado com ingredientes frescos e sazonais, as receitas vêm dos livros ou da avó, mas sempre com uma boa dose de improvisação. No copo, os vinhos são portugueses e a mesa estará cheia.”

prato improvisado

Assim foi o meu domingo, com boa comida, pessoas novas, pessoas que já não via há algum tempo e de quem tinha saudades, pessoas que só conhecia através desta grande rede. E comida deliciosa, já tinha dito?

Foi um almoço de várias horas, como as refeições em família ou com amigos, feito de muitas conversas e de martinis de tangerina e chips de batata doce. De sopa de courgette com nata e amêndoa (que adorei), de focaccia de castanhas, bacon e alecrim, de vol-au-vent de cogumelos selvagens (oh, cogumelos, cogumelos!), de salada de cebola roxa, rúcula e parmesão, de castanhas assadas com marmelos e salva. E ainda, de galinha do campo com limão e tomilho (tenrinha e saborosa), de legumes assados no forno, de um surpreendente strogonoff de seitan com cenoura e cogumelos. E de sobremesas, claro está. Tarte de abóbora e bourbon, butter pie, leite creme.

Claro que não tínhamos espaço para mais comida. Claro que adorámos a refeição, a companhia, a atenção, os pormenores cuidados. Mas no final ainda tinham um miminho preparado, que vêem na fotografia  (e o meu já desapareceu!).

Neste thanksgiving lisboeta, demos graças por refeições deliciosas, como a de hoje.

ovos escalfados perfeitos

Não tinha nada para o almoço, nem vontade de ir às compras. Mas apeteciam-me ovos escalfados. No meio de tantos livros de receitas, não encontrei nada que me apetecesse ou pudesse fazer (lembrem-se, não tinha quase nada para cozinhar). Solução? Uma fatia de pão polar, um hambúrguer de frango grelhado com pimenta, um ovo escalfado e cogumelos de lata, fritos em azeite, alho e salsa.

E soube tão bem.

poached eggs

sérgio godinho

Gosto de Sérgio Godinho desde pequena. Em casa dos meus pais sempre se ouviu música e, principalmente, música portuguesa. E eu sempre gostei disso. Crescer a ouvir Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Fausto, Vitorino, entre outros, é saudável e recomenda-se. :) Devo-lhes as minhas bases musicais e muito do meu gosto pela boa música nacional, mas sobre isto falarei numa outra altura.

Hoje quero apenas partilhar a alegria de ter visto, finalmente, um concerto de Sérgio Godinho, que foi bom, muito bom.

évora

Não sou fã de grandes festas na passagem de ano, até porque não ligo muito ao assunto. O final do ano é, para mim, como fazer anos: tempo de reflexões e, normalmente, de um ligeiro sentimento depressivo – não fiz isto, não fiz aquilo. A não ser que o ano tenha tido muitos momentos maus, como já aconteceu, e aí estou bastante feliz por chegar ao fim. Não que as coisas vão necessariamente mudar ou começar de novo, mas há sempre este sentimento de recomeçar que é reconfortante.

Como ainda não consegui planear nada a meu gosto, as viagens parecem-me uma boa alternativa. O ano passado fomos para Évora. Foi a nossa primeira viagem de carro – no nosso carro – e por isso teve um gosto especial.

Partimos na manhã de dia 31, almoçámos numa tasca, algures pelo caminho, e parámos para visitar Montemor-o-Novo.  Não se via muita gente e a visita cingiu-se basicamente ao castelo, que é grande e tem uma vista bonita, principalmente com a luz que estava.

castelo castelo

Chegámos a Évora tarde, demasiado tarde para conseguir uma mesa num bom restaurante, por isso tivemos de jantar no Samurai (um desses restaurantes de buffet de sushi, que não é grande coisa). Ainda bem que conseguimos passear antes do jantar porque depois pouco se via na rua, por causa do nevoeiro.

évora

évora

évora

Évora é uma cidade bonita onde me vejo facilmente a morar. É acolhedora, tem vida, vários pontos de interesse e uma vida cultural interessante – espaços como a Sociedade Harmonia Eborense (SHE) ajudam. Acabei por ter pena de a ter visitado naquela altura do ano, porque estava tudo fechado.

Évora tem bons restaurantes, também. Como o A Gulla, que nos serviu a primeira refeição do ano. Começámos com uma prova de azeites, gentileza do empregado de mesa, que nos explicou as diferenças e características de cada um. Depois chegaram as migas de espargos com carne de alguidar, para mim, e o arroz de pato no forno, para o G. As doses eram boas, a comida era ainda melhor. Não há nada de que não tenhamos gostado no A Gulla e será um sítio onde voltaremos, certamente.




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