roteiro gastronómico: quatro dias em madrid

Madrid não é nova para nós. O Gonçalo viveu lá nove meses, em Erasmus. Eu estive lá duas vezes, de visita. Mas experimentar os restaurantes da cidade foi algo que nunca nenhum de nós tinha feito. Esta viagem foi um banquete. Pensando nos nossos dias por lá, parece-me que passámos o tempo a comer e passeámos nos intervalos. É fácil encontrar bons almoços a bom preço, mas a tradição dos dois pratos é exagerada para os nossos estômagos.

Vamos lá então começar…

starbucks plaza de españa

Acordámos muito cedo no dia 4 e não tivemos tempo para o pequeno-almoço. Assim que chegámos a Madrid, apanhámos o metro e fizemos a primeira paragem no Starbucks da Plaza de España. Os donuts do Starbucks são sempre bons, sempre fofos, e o chai tea latte é delicioso (e ainda bem porque todas as outras bebidas quentes têm café e eu não gosto). Cremoso e picante q.b. Adoro tudo o que seja bem condimentado :)

a dos velas _primeiros pratos

primeiros pratos: sopa de tomate com natas e “croquetas” de peixe caseiras

a dos velas _segundos pratos

segundos pratos: peito de frango com queijo gratinado e bife à argentina com molho chimichurri

Depois de uma sesta, procurámos no site da Lonely Planet um sítio simpático, perto da calle de San Bernardo, para almoçar. Eram quase 15 horas, mas em Madrid isso não é problema. Escolhemos o A dos Velas na calle de San Vicente Ferrer e não nos arrependemos. O espaço é giro, o ambiente é muito simpático e têm bons menus de almoço. Três primeiros pratos, três segundos pratos e várias sobremesas à escolha, tudo caseiro (excepto os gelados). E orgulham-se de não repetirem um prato durante, pelo menos, dois meses. A comida é realmente boa.

Teätro Häagen-Dazs

Caminhámos muito todos os dias e só usámos o metro praticamente para as viagens entre a cidade e o aeroporto. É melhor passear assim, vemos mais coisas, descobrimos mais. Foi num dos passeios, em busca do Cine Doré (a Cinemateca deles), que encontrámos o Teätro Häagen-Dazs, na calle Atocha. Como o Cine Doré não tem grande escolha para quem quer lanchar, resolvemos optar pelo seguro. Afinal, é por isso que estas grandes cadeias são boas – sabemos sempre com o que contar. Eu contava com um chá frio de melão e uma torrada de pão brioche… mas não tinham. Ficámo-nos por chás quentinhos – preto com aroma a baunilha – e waffles. O edífico promete muito e desiludiu-me. Vê-se que já foi um espaço bonito, tem pormenores de que gostei muito, mas está muito mal tratado, o que é uma pena.

Antigua Hueveria

Para a última refeição do dia, voltámos à calle San Vicente Ferrer para experimentar um sítio que vimos durante a tarde – mas que estava fechado na altura. A Antigua Huevería é um espaço pequeno, descontraído e muito informal. Gostei da decoração, adorei a fachada, mas não me lembrei de fotografar nada. É o que faz o cansaço. Pedimos cañas e dois pratos para petiscar: nachos com feijão, queijo e pico de gallo e huevos rotos com presunto e pimentos. Devo confessar que quando pedimos, pensávamos que huevos rotos eram ovos mexidos e quando chegaram à mesa percebemos que afinal eram estrelados, mas então deveriam ser huevos estrellados, certo? Só quando chegámos a Lisboa é que fomos investigar e huevos rotos são como um prato: ovos estrelados com coisas, que se “rasgam” quando chegam à mesa, para que todo o prato fique cheio de molho. É bom, bom, bom. Na Antigua Huevería, estão sempre a chegar coisas à mesa, mesmo que não as tenhamos pedido. Os chicharrones que vêem na imagem são exemplo disso. Não ficámos fãs. São tiras de courato fritas ou algo assim, muito populares por Madrid (até as vimos à venda em quiosques de doces, como se fossem pipocas ou batatas fritas).

pan con tomate

Se me mudasse para Madrid, como desejei durante imenso tempo, conseguiria habituar-me com alguma facilidade a várias coisas, às diferenças no conceito de pequeno-almoço e à falta de boas pastelarias, acho que não. Fomos ao El Ladrón de Tinta à procura de pequeno-almoço, por ser quase ao lado do hotel/apartamento onde estávamos. O menu: café, sumo de laranja e pan con tomate. Gosto de pan con tomate, a sério que gosto, mas também gosto de salgados e não os como ao pequeno-almoço. Pan con tomate é, basicamente, pão torrado com tomate, azeite e sal (e há quem esfregue alho também) e não entra na minha noção de “o-que-me-apetece-mesmo-comer-quando-acordo”.

paella e talvez batatas alioli

Foi a segunda vez que fui a um restaurante madrileno comer paella e pela segunda vez não foi nada de especial. Será culpa do prato ou dos restaurantes? O segundo prato são batatas, supostamente alioli, mas depois de ver um livro de receitas que os Reis me trouxeram, começo a achar que eram apenas batatas com maionese e ervas.

udon _entradas

udon _miso ramen

udon _noodles udon frios e tempura

udon _sobremesas

O Udon na calle Clavel, uma perpendicular à Gran Via, é bom, muito bom. Lá comemos os melhores gyoza de sempre, o miso ramen era delicioso e o Gonçalo diz que os seus noodles udon frios com tempura também (eu não gosto de massa grossa, não há nada a fazer). O sushi é feito de noodles também, o que os torna mais… leves (o de alga verde é mauzinho). Para sobremesa pedimos gelado de chá verde com coco (gelado de chá verde devia ser vendido como todos os outros, no supermercado) e rolos de banana e chocolate fritos com gelado de coco… nom, nom, nom.

kai

De um lado da rua o Udon, do outro o Kai. Se encontramos um restaurante japonês, temos de experimentar e assim o fizemos, no nosso almoço de Reis. É tudo caríssimo no Kai e por isso optámos por pedir pratos em vez de sushi. O dim sum é muito bom, o resto é bom, dentro do normal.

el tigre _tapas

El Tigre está sempre cheio. A primeira vez que lá fui tinha mesas, como uma tasca normal, agora só tem balcões. Balcões por todo o lado, para que mais pessoas consigam ter sítio onde pousar o copo e as tapas, e muito poucos bancos. Até porque a maioria não se demora muito por lá. Bebem uns copos, aproveitam umas tapas e seguem. Está sempre cheio, já disse? As tapas não são nada de especial, nem são servidas com especial cuidado… São basicamente atiradas para cima de um prato, misturando molhos e tudo o resto. Mas há algo de especial naquele espaço. Talvez seja só porque nos dão comida sempre que pedimos uma bebida, seja ela qual for.

dunkin' coffee

Não sei quem é que mudou: se fomos nós ou se foram eles, os donuts. Sei que adorava ir ao Dunkin’ Donuts e que gostava tanto dos donuts deles que o Gonçalo me trouxe uma caixa quando voltou para casa, depois do período de Erasmus. Em 2009 fomos a Barcelona e foi a desilusão. O nome mudou, passou a ser Dunkin’ Coffee, e os donuts não são nada de especial. Voltámos a experimentar em Madrid e aconteceu o mesmo. Bah.

a2velas _crepe, ovos estrelados e strogonoff com hummus

Terminámos mais ou menos onde começámos, com um almoço no A dos Velas. Deliciosos crepes de cogumelos, queijo e courgettes, ovos estrelados para mim, strogonoff com hummus para o Gonçalo. Saímos de Espanha sem vontade de comer durante dias.