arquivo de ao vivo

sérgio godinho

Gosto de Sérgio Godinho desde pequena. Em casa dos meus pais sempre se ouviu música e, principalmente, música portuguesa. E eu sempre gostei disso. Crescer a ouvir Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Fausto, Vitorino, entre outros, é saudável e recomenda-se. :) Devo-lhes as minhas bases musicais e muito do meu gosto pela boa música nacional, mas sobre isto falarei numa outra altura.

Hoje quero apenas partilhar a alegria de ter visto, finalmente, um concerto de Sérgio Godinho, que foi bom, muito bom.

avante!

O primeiro fim-de-semana de Setembro é fim-de-semana de Avante! Para nós, pelo menos (desde o ano passado).  Ao que parece, a festa supera-se a cada ano e voltei a sair da Quinta da Atalaia impressionada pelo tamanho e pela organização e por saber que tudo aquilo é fruto do trabalho voluntário dos militantes do partido.

O Avante! é um espaço de alegria e partilha contagiante. E de riqueza cultural. Cada região do país tem um espaço próprio, de gastronomia e artesanato. Há filmes, debates, peças de teatro. Exposições, música – ópera incluída -, desporto, feiras de livros e de discos. Há espaço ainda para os partidos comunistas dos outros países nos trazerem os seus melhores petiscos, entre outras coisas. O tempo não é suficiente para aproveitar tudo e ninguém precisa de ser comunista para se sentir bem recebido.

avante!

avante!

avante!

avante!

avante!

avante!

avante!

Como sempre, podem ver mais fotografias aqui.

meco, sol & rock ‘n’ roll

Fui ao Super Bock Super Rock e não levei a máquina fotográfica. Três horas de viagem, três noites n’O Repouso, três dias de concertos. Beirut, Arctic Monkeys, Noiserv, B Fachada, Portishead, Arcade Fire, Paus, Junip, Strokes.

Boa noite, com uma semana de atraso.

joanna newsom

Janeiro trouxe-nos a Joanna Newsom, quase 4 anos depois da encantadora noite na Aula Magna.

Mesmo que o último álbum, Have One On Me, não me tenha encantado particularmente – excepção feita à maravilhosa “Good Intentions Paving Company” – estava muito ansiosa para ver o concerto, desta vez no CCB. Tinha saudades de uma noite como a que ela nos ofereceu na Aula Magna em 2007 e não me desiludi.

joanna newsom

Aula Magna, 2 de Maio de 2007

Do alinhamento fizeram parte as recentes “81 “, “Have One on Me”, “Easy”, “No Provenance”, “Soft As Chalk” e “Good Intentions Paving Company”, e ainda a preciosa “Cosmia”, a “Inflammatory Wrist”, “Emily”, a bonita “Clam, Crab, Cockle, Cowrie” e “Baby Birch” no encore. Só faltou a “Sawdust & Diamonds” para ser perfeito.

Se nunca foram a nenhum concerto da Joanna Newsom, não percam o próximo. Vale mesmo a pena.

imogen heap

Na Aula Magna, tudo correu bem. A sala estava quase cheia, mais do que poderíamos esperar, os músicos a quem foram atribuídas as honras de abertura – Ben Christophers e Geese – foram óptimos e a Imogen Heap, para além da boa música, trouxe para palco uma onda gigantesca de boa disposição e simpatia. A empatia foi imediata e estavam reunidas todas as condições para um excelente concerto.

imogem heap @ aula magna/ gonçalo sítima

O arranque deu-se ao ritmo de “The Walk” e “Goodnight & Go”, uma manobra inteligente para cativar a plateia de imediato. Mais ritmados em palco do que em Speak For Yourself, serviram como um perfeito cartão-de-visita. Depois vieram as primeiras conversas e confissões, com a Imogen a falar-nos de uma paixão antiga e não correspondida por um professor, que deu origem ao tema “Come Here Boy” do seu álbum de estreia, iMegaphone. Só então Ellipse, o seu mais recente álbum e o responsável pela tournée, entrou em cena, com “Wait It Out”, um tema que escreveu para um filme de Zach Braff que nunca chegou a ser lançado – pelo menos até agora.

Imogen saltitava de instrumento em instrumento – as teclas e o singular Array mbira eram o seu refúgio principal –, fazia despertar som atrás de som (pássaros, fogueiras, sinos), conversava, cantarolava e dançava. Fazia o público rir às gargalhadas enquanto revelava pormenores sobre si e sobre as músicas. Em duas horas de concerto apresentou-nos o melhor de Ellipse, sem deixar de parte o incontornável Speak For Yourself e recordando-nos ainda de Frou Frou, o projecto que tinha com Guy Sigsworth e do qual nasceu Details, o álbum que ambos acharam ser do melhor alguma vez feito, mas que não vendeu… até Zach Braff – cá está ele outra vez – escolher “Let Go” para a banda sonora de Garden State.

Momentos a assinalar? O convite à introspecção ao som de “The Fire”, a interpretação a meias com o público de “Just For Now”, a arrepiante “Here Me Out”, numa interpretação perfeita e quase improvisada, e o momento mais “rockeiro” da noite, com “Tidal” – até teve direito a solo apoteótico de keytar (uma mistura de teclado com guitarra). Haverá quem assinale outros, claro. Nestas coisas, já se sabe, cada um tem a sua opinião. Mas é de destacar que o alinhamento do concerto foi determinado pela votação online dos fãs da cantora. Um concerto “feito à medida”, como raramente se encontra.

De forma muito honesta, Imogen Heap dispensou os falsos encores, dos quais já estamos todos fartos, e encerrou a noite, sem pausas, embalando-nos ao som de “The Moment I Said It” e “Hide And Seek”. O público despediu-se aplaudindo de pé, com enormes sorrisos no rosto e a certeza de que valeu a pena sair de casa numa gelada noite de domingo.

fotografia de Gonçalo Sítima para o FestivaisPT

broken social scene

O concerto foi no início do mês, mas apetece-me falar sobre ele hoje. Foi muito bom, provavelmente o melhor que vi este ano – posso até afirmar que foi um dos melhores que vi desde sempre. Sair da Aula Magna com a “All To All” e a “Anthems For A Seventeen Year-Old Girl” a soar repetidamente na memória teria sido o suficiente para ficar contente o resto do mês, mas o concerto foi muito mais do que isso. Como me faltam palavras para o descrever, aconselho-vos a lerem o que diz quem percebe mais disto do que eu, como o Filipe .

antes do concerto, depois da actuação dos hipnótica

Não costumo levar a máquina fotográfica para os concertos – a não ser que os vá fotografar -, mas como a tinha comigo por outros motivos, aproveitei :)

não há festa como esta

Sábado fui ao Avante! pela primeira vez (há anos que o queria fazer, no entanto) e foi tudo melhor do que estava à espera. E maior. É impressionante e impossível não nos deixarmos contagiar pela alegria que se vive ali dentro.

muitos murais por todo o recinto

os meus preferidos: os espaços regionais e internacional, com petiscos típicos e apetitosos e artesanato

acho que as boinas com estrela, ao género da do Che Guevara, são das coisas mais vendidas na festa

de manhã à noite, o recinto está sempre cheio.

deftones

O White Pony marcou-me a adolescência – não toda, a recta final, aquela altura em que definimos quem vamos ser nos próximos anos (não para sempre). Sujo e violento, melancólico. Descobri-o através da “Change (In The House Of Flies)”, na banda sonora do Queen Of The Damned – como os gostos mudam pelo caminho -, e foi a primeira vez que ouvi Deftones de forma consciente. Não morro de amores pelos restantes álbuns, mas continuo a ouvir o White Pony e fiquei muito contente quando surgiu a oportunidade de estar presente no Optimus/ MySpace Secret Show (sem ter de ir dormir à porta do Tivoli).  Devo acrescentar que do último álbum só conheço um tema, o “CMND/CTRL”, apesar de ter sido ouvido muitas vezes cá por casa nos últimos tempos.

sílvia dias/ festivaispt
sílvia dias/ festivaispt
sílvia dias/ festivaispt

O concerto foi muito bom. Curto (cerca de uma hora e um quarto), como já estava à espera, mas óptimo. Queria mais do White Pony, no entanto. Para saberem mais sobre o concerto, o melhor é lerem a reportagem do Gonçalo para o FestivaisPT. Aproveitam e vêem as minhas fotografias… há dois anos que não fotografava um concerto. E sabe tão bem.

sílvia dias/ festivaispt

sílvia dias/ festivaispt

sílvia dias/ festivaispt

resumo da semana

Esta foi uma semana de concertos. Bons concertos, com uma menção especial para Foge Foge Bandido, na Aula Magna. Faço uma vénia ao Manel Cruz e companhia, foi o melhor concerto que já vi este ano. Para o meu entusiasmo conta muito, certamente, a minha admiração de longa data por ele e pelos seus projectos. Há muito tempo que não estava tão ansiosa por um concerto.

Lisa Germano + Phil Selway no Pequeno Auditório do CCB, terça-feira

Gostei muito da Lisa Germano, que não conhecia e devia. Gostei menos do Phil Selway, em termos musiciais. Ainda bem que tem os Radiohead porque não creio que terá grande sucesso a solo. Podem ler mais sobre o concerto no FestivaisPT, para onde escrevi a reportagem.

Foge Foge Bandido na Aula Magna, quinta-feira

Estava muito curiosa: como é que seria o Foge Foge Bandido ao vivo? O facto de ser composto por dois álbuns – O Amor Dá-me TesãoNão Fui Eu Que Estraguei -, cada um com 40 temas, torna, por si só, a tarefa complicada. A piorar está ainda o facto de serem tudo menos convencionais (cacofonias, conversas, um sem número de instrumentos e todos os objectos que possamos imaginar que façam som). O resultado ao vivo foi perfeito e fiel. O Manel Cruz e os quatro músicos que o acompanhavam (não consegui apontar os nomes), conseguiram reproduzir ao vivo o espírito do projecto. Tocaram imenso, mas mesmo assim, estava sempre a desejar que o concerto não terminasse.

David Fonseca no Coliseu, sexta-feira

Foi a quarta vez que vi o David Fonseca ao vivo e não há margem para dúvidas – ele nasceu para estar no palco. Um concerto do David Fonseca não vale só pela música, vale muito pelo próprio espectáculo, sempre cheio de surpresas e pormenores originais. De qualquer forma, não foi o melhor concerto que vi dele. Prefiro o que deu há dois anos no Coliseu ou o de há quatro anos (!) na Aula Magna, por exemplo. O facto de achar que o último álbum, que dá nome à tour – Between Waves –  fica um pouco aquém dos anteriores (especialmente do Dreams In Colour), é um factor importante. Tem temas muito bons, mas no conjunto não me encantou.

Nota: As fotografias são todas do FestivaisPT:

.:: Lisa Germano + Phil Selway: Gonçalo Sítima (ver mais)

.:: Foge Foge Bandido: Rui Evaristo (ver mais)

.:: David Fonseca: Vasco Pereira  (ver mais)




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