Na Aula Magna, tudo correu bem. A sala estava quase cheia, mais do que poderíamos esperar, os músicos a quem foram atribuídas as honras de abertura – Ben Christophers e Geese – foram óptimos e a Imogen Heap, para além da boa música, trouxe para palco uma onda gigantesca de boa disposição e simpatia. A empatia foi imediata e estavam reunidas todas as condições para um excelente concerto.

O arranque deu-se ao ritmo de “The Walk” e “Goodnight & Go”, uma manobra inteligente para cativar a plateia de imediato. Mais ritmados em palco do que em Speak For Yourself, serviram como um perfeito cartão-de-visita. Depois vieram as primeiras conversas e confissões, com a Imogen a falar-nos de uma paixão antiga e não correspondida por um professor, que deu origem ao tema “Come Here Boy” do seu álbum de estreia, iMegaphone. Só então Ellipse, o seu mais recente álbum e o responsável pela tournée, entrou em cena, com “Wait It Out”, um tema que escreveu para um filme de Zach Braff que nunca chegou a ser lançado – pelo menos até agora.
Imogen saltitava de instrumento em instrumento – as teclas e o singular Array mbira eram o seu refúgio principal –, fazia despertar som atrás de som (pássaros, fogueiras, sinos), conversava, cantarolava e dançava. Fazia o público rir às gargalhadas enquanto revelava pormenores sobre si e sobre as músicas. Em duas horas de concerto apresentou-nos o melhor de Ellipse, sem deixar de parte o incontornável Speak For Yourself e recordando-nos ainda de Frou Frou, o projecto que tinha com Guy Sigsworth e do qual nasceu Details, o álbum que ambos acharam ser do melhor alguma vez feito, mas que não vendeu… até Zach Braff – cá está ele outra vez – escolher “Let Go” para a banda sonora de Garden State.
Momentos a assinalar? O convite à introspecção ao som de “The Fire”, a interpretação a meias com o público de “Just For Now”, a arrepiante “Here Me Out”, numa interpretação perfeita e quase improvisada, e o momento mais “rockeiro” da noite, com “Tidal” – até teve direito a solo apoteótico de keytar (uma mistura de teclado com guitarra). Haverá quem assinale outros, claro. Nestas coisas, já se sabe, cada um tem a sua opinião. Mas é de destacar que o alinhamento do concerto foi determinado pela votação online dos fãs da cantora. Um concerto “feito à medida”, como raramente se encontra.
De forma muito honesta, Imogen Heap dispensou os falsos encores, dos quais já estamos todos fartos, e encerrou a noite, sem pausas, embalando-nos ao som de “The Moment I Said It” e “Hide And Seek”. O público despediu-se aplaudindo de pé, com enormes sorrisos no rosto e a certeza de que valeu a pena sair de casa numa gelada noite de domingo.
fotografia de Gonçalo Sítima para o FestivaisPT