A Alexandra Lucas Coelho passou três semanas, o verão passado, a percorrer o México, em reportagem para o Público. No final de 2010, a Tinta da China publicou Viva México, na sua magnífica colecção de viagens. Eu fui logo comprá-lo. Queria começar a conhecer a colecção e um livro sobre o México pareceu-me o ideal. Não me enganei. Ia escrever sobre ele, mas depois encontrei a crítica feita pela Sara Figueiredo Costa, do Cadeirão Voltaire, e percebi que dificilmente faria melhor.

“[...] Quem tem da reportagem a ideia ingénua de aceder à cor local, ao ambiente e a meia dúzia de histórias, ora comoventes, ora chocantes, bem pode preparar o cérebro para a convulsão destes textos. O que aqui lemos não é o México dos postais, ainda que por aqui andem a Virgem de Guadalupe, as caveiras açucaradas e os sombreros. E também não é a hecatombe mostrada com cores sanguinárias, naquele tom fabricado para nos deixar chocados com a miséria alheia durante uns minutos, antes de passarmos às notícias da bola. O que aqui lemos é o resultado do encontro, dos muitos encontros que a repórter procura e regista. São as pessoas a matéria destes textos, as pessoas e a sua bagagem, que pode incluir sombreros turísticos e assassinatos impunes. Por entre as ruínas dos aztecas, nas ruas de Oaxaca ou nas montanhas de Chiapas, não há cor local ou ambiente sem a gente que trabalha, sonha, lê as revistas do social, tem medo, come burritos, dorme com mais ou menos sossego, vive e morre, só que aqui com mais violência do que em qualquer parte. [...]”
Leiam mais aqui. E não deixem de ler o livro, principalmente se pensam visitar o país e passar os dias num qualquer resort em Cancún.