arquivo de livros

o livro dos homens sem luz

Comecei o ano com o João Tordo e o seu O Bom Inverno e termino com O Livro dos Homens Sem Luz. É muito, muito bom. Confesso que ao início pensei que não estivesse ao nível do outro, mas estava enganada (muito!). A certa altura, torna-se impossível parar de ler, tal é a força com que somos puxados para dentro da história.

O João Tordo caminha rapidamente para o topo da minha lista de preferidos.

Para ser exacta, O Livro dos Homens Sem Luz não será a minha última leitura de 2011 porque já comecei a ler o 1Q84 do Haruki Murakami. Tenho a versão britânica, com as três partes juntas, o que me faz prever que este será o livro que me fará companhia até… Fevereiro. Em casa, leio a versão em papel, no metro leio no kindle e este diz-me que ainda só li 10%.

viva méxico

A Alexandra Lucas Coelho passou três semanas, o verão passado, a percorrer o México, em reportagem para o Público. No final de 2010, a Tinta da China publicou Viva México, na sua magnífica colecção de viagens. Eu fui logo comprá-lo. Queria começar a conhecer a colecção e um livro sobre o México pareceu-me o ideal. Não me enganei. Ia escrever sobre ele, mas depois encontrei a crítica feita pela Sara Figueiredo Costa, do Cadeirão Voltaire, e percebi que dificilmente faria melhor.

viva méxico

“[...] Quem tem da reportagem a ideia ingénua de aceder à cor local, ao ambiente e a meia dúzia de histórias, ora comoventes, ora chocantes, bem pode preparar o cérebro para a convulsão destes textos. O que aqui lemos não é o México dos postais, ainda que por aqui andem a Virgem de Guadalupe, as caveiras açucaradas e os sombreros. E também não é a hecatombe mostrada com cores sanguinárias, naquele tom fabricado para nos deixar chocados com a miséria alheia durante uns minutos, antes de passarmos às notícias da bola. O que aqui lemos é o resultado do encontro, dos muitos encontros que a repórter procura e regista. São as pessoas a matéria destes textos, as pessoas e a sua bagagem, que pode incluir sombreros turísticos e assassinatos impunes. Por entre as ruínas dos aztecas, nas ruas de Oaxaca ou nas montanhas de Chiapas, não há cor local ou ambiente sem a gente que trabalha, sonha, lê as revistas do social, tem medo, come burritos, dorme com mais ou menos sossego, vive e morre, só que aqui com mais violência do que em qualquer parte. [...]”

Leiam mais aqui. E não deixem de ler o livro, principalmente se pensam visitar o país e passar os dias num qualquer resort em Cancún.

o bom inverno

A 19 de Agosto de 2008, João Tordo escrevia no seu blog sobre For Emma, Forever Ago, dos Bon Iver e confessava: “Bon Iver. A aproximação ao francês não pode ser ignorada: bon hiver? O Bom Inverno? Dava um óptimo título para um romance. Só que é música.”

A 28 de Agosto de 2010, O Bom Inverno, quarto romance de João Tordo, chega às livrarias.

Confesso que nunca antes tinha lido algo do autor e não me lembro quando é que O Bom Inverno cruzou o meu caminho. Sei que quis logo lê-lo. Há coisas assim. Comprei-o no final de Setembro e ficou arrumado na estante, à espera da sua vez, até agora. É um livro que se lê num instante, porque é difícil parar, assim que se entra na história. E  para mim, isto é um óptimo sinal.

Podia ser o argumento de um filme. Se percebesse alguma coisa do assunto, arriscaria dizer que é facilmente adaptável ao cinema. E isso é irónico porque é mais ou menos em torno disto que o enredo começa a crescer (muito provavelmente não é inocente, claro). Não me vou alongar em análises (deixo isso para quem sabe, como o Eduardo Pitta). O que posso dizer é que gostei, gostei muito e fiquei curiosa. É muito provável que, em breve, As 3 Vidas façam companhia a O Bom Inverno.

bominvernocapa.jpg

Se tu estás a planear escrever um livro, então tudo isto que está a acontecer me parece terrivelmente conveniente. Um enredo do caraças, atrevo-me a dizer. Ou julgas que somos idiotas?” (pág. 212)

cuisine comme à lisbonne

Cuisine comme à Lisbonne é um magnífico livro sobre a cozinha portuguesa, centrando-se nos pratos mais populares na capital, que funciona também como guia turístico. A sério, quem me dera encontrar um livro assim sobre cada país que visito.

A autora é a Tessa Kiros e estou curiosa para conhecer mais livros dela.

cuisine comme à lisbonne

Encontrei-o pela primeira vez há uns meses atrás, mas não o comprei na altura por um motivo bastante óbvio: o livro está em francês e os meus três anos a estudar a língua perderam-se no tempo. Claro que fiquei a pensar nele e arrependi-me de não o ter trazido. Quando regressei à livraria, já não o tinham… ou pelo menos assim pensava eu até há umas semanas, quando o encontrei novamente. Nem pensei duas vezes :) Agora tenho andado a estudá-lo e a estudar francês. A primeira receita que experimentei foi a de ervilhas com ovo escalfado, que tem sido a minha obsessão dos últimos meses, e é óptima!

ervilhas com ovo escalfado

Entretanto descobri que a versão original é inglesa e até há uma edição em português (da Civilização), mas não são tão bonitas e às vezes vale a pena julgar o livro pela capa.

cuisine comme à lisbonne

cuisine comme à lisbonne

Conseguem imaginar o que foi o jantar de hoje? :)

norwegian wood

norwegian wood

norwegian wood

norwegian wood

norwegian wood

norwegian wood

Os cinemas japoneses irão receber a adaptação cinematográfica de Norwegian Wood, de Haruki Murakami, em Dezembro. Parece-me óbvio que nunca chegará às nossas salas (a não ser que dos Estados Unidos venha um remake manhoso – como aconteceu com o My Sassy Girl), mas felizmente isso não nos impedirá de o ver, mais cedo ou mais tarde – e eu estou muito curiosa. Até lá, talvez o leia. É a única obra ficcional de Murakami que ainda não li (exceptuando os dois primeiros, que descobri agora que existem em inglês, mas só no Japão – e que vou tentar comprar – e os recentes 1Q84, que ainda não foram traduzidos para inglês), porque tive de parar. Li vários de seguida e as histórias e personagens começavam a misturar-se na minha memória.

Imagens retiradas do Wildgrounds

saramago

Lembro-me bem da primeira vez que ouvi falar de José Saramago. Tinha 13 anos e ele tinha acabado de ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Na escola, o professor de português explicou-nos a importância do prémio e deu-nos um trabalho para fazer: a biografia de Saramago. Foi assim que conheci o homem, antes da obra.

Demorei muito tempo até finalmente ler um livro dele. Comecei pelo Memorial do Convento porque era o que tinha em casa. Tinha 21 anos. Não me arrependo do tempo que demorei a descobri-lo porque acho que antes não teria conseguido entender.

Quando soube da sua morte, e depois do choque, fui à estante e peguei no último livro que li dele – A Viagem do Elefante. Saramago escreveu-o depois de ter estado muito perto da morte e dedicou-o a Pilar, “que não deixou que eu morresse”. O elefante morreu dois anos depois de terminar a sua viagem. O livro foi lançado em 2008. É irónico.

Irónico é também ser hoje o aniversário de um amigo, a quem vou oferecer o Ensaio Sobre a Cegueira como presente. Ele nunca leu nada de Saramago e achei que seria uma boa forma de começar – é um dos meus livros preferidos. Caso estejam a pensar nisso, o presente foi comprado há já bastante tempo.

~.~

“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”


foge foge bandido

Tinha planeado escrever sobre o Manel Cruz e o Foge Foge Bandido, mas descobri que não tinha palavras suficientes – ou competentes.

Foge Foge Bandido é do mais original que já se produziu em Portugal nos últimos anos (objectivamente, não vale a pena porem isto em causa) e não falo apenas em termos de música. Foge Foge Bandido é mais do que a música que habita os dois álbuns que o compõem (o amor dá-me tesão e não fui eu que estraguei). É uma obra una e coesa, ancorada num livro ilustrado pelo próprio, ao jeito de scrapbook, construída ao longo de dez anos – tantos quantos foram necessários para chegar ao ponto em que a conhecemos -, que foge a rótulos.

Foge Foge Bandido são as vivências dele e dos que o rodeiam a misturarem-se nas nossas, a darem-lhes voz. É tudo tão espontâneo, que é difícil não nos sentirmos parte do processo criativo.  Mas isto é tão tolo, quanto egoísta.

Houve um tempo em que conseguia seleccionar as preferidas facilmente, agora é mais difícil. Assim sendo, ouçam-no por completo. Para começar, abram o site www.fogefogebandido.com e deixem-no ficar (a tocar).

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

O Foge Foge Bandido foi um namoro de acasos, descobrir a música das pessoas e não dos músicos e atribuir ao tempo a tarefa de seleccionar o material. Foi tentar ao máximo expressar o processo, com a consciência, claro, de que o acaso se estende ao próprio entendimento desse processo e de que se calhar não percebi nada. (Manel Cruz)

100 maneiras

E pronto, já tenho a colecção completa. Uma pechincha, na Feira do Livro.

100 maneiras, Rosa Maria

a vida portuguesa

Há algum tempo que queria visitar A Vida Portuguesa. Ontem, como estava por perto, aproveitei. Lá dentro é impossível não sentir a nostalgia apertar-nos o coração devagarinho (mesmo para mim, que ainda nem um quarto de século tenho). São os brinquedos que nos povoaram a infância, ali, à mão de semear. Dá vontade de os trazer todos para casa e usá-los como decoração. E há também a nostalgia dos tempos que não vivemos directamente, mas em segunda mão, através das histórias dos nossos pais.

Apesar da vontade de trazer grande parte da loja comigo, fiquei-me por uma embalagem de chá verde Gorreana dos Açores (que experimentámos na Cultura do Chá e é óptimo) e um livrinho de 100 Maneiras de Cozinhar Ovos da Rosa Maria, que é uma reimpressão da editora Civilização de um original dos anos 20. Como só conhecia três ou quatro maneiras de cozinhar ovos, estou completamente fascinada com ele!

100 Maneiras de Cozinhar Ovos, Rosa Maria

Chá verde Gorreana, Açores

Hei-de voltar mais vezes, claro está. Ainda tenho de comprar as andorinhas das Faianças Bordalo Pinheiro, para decorar a casa nova, por exemplo. E há também muitas coisas óptimas para oferecer!




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