arquivo de música

sérgio godinho

Gosto de Sérgio Godinho desde pequena. Em casa dos meus pais sempre se ouviu música e, principalmente, música portuguesa. E eu sempre gostei disso. Crescer a ouvir Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Fausto, Vitorino, entre outros, é saudável e recomenda-se. :) Devo-lhes as minhas bases musicais e muito do meu gosto pela boa música nacional, mas sobre isto falarei numa outra altura.

Hoje quero apenas partilhar a alegria de ter visto, finalmente, um concerto de Sérgio Godinho, que foi bom, muito bom.

joanna newsom

Janeiro trouxe-nos a Joanna Newsom, quase 4 anos depois da encantadora noite na Aula Magna.

Mesmo que o último álbum, Have One On Me, não me tenha encantado particularmente – excepção feita à maravilhosa “Good Intentions Paving Company” – estava muito ansiosa para ver o concerto, desta vez no CCB. Tinha saudades de uma noite como a que ela nos ofereceu na Aula Magna em 2007 e não me desiludi.

joanna newsom

Aula Magna, 2 de Maio de 2007

Do alinhamento fizeram parte as recentes “81 “, “Have One on Me”, “Easy”, “No Provenance”, “Soft As Chalk” e “Good Intentions Paving Company”, e ainda a preciosa “Cosmia”, a “Inflammatory Wrist”, “Emily”, a bonita “Clam, Crab, Cockle, Cowrie” e “Baby Birch” no encore. Só faltou a “Sawdust & Diamonds” para ser perfeito.

Se nunca foram a nenhum concerto da Joanna Newsom, não percam o próximo. Vale mesmo a pena.

micah p. hinson

Com o mais recente álbum do Micah P. Hinson na mão, dei por mim a pensar naquilo que ele despertou em mim quando o conheci, há uns quantos anos atrás – porque o tempo passa realmente depressa. E tenho a certeza que não há nada que tenha feito desde então, que se iguale à obra que tinha até à altura. O que é pena.

Deixo-vos com um excerto do que escrevi em 2008 sobre o álbum de estreia Micah P. Hinson And The Gospel Of Progress (2005) e com a promessa de vos falar sobre o mais recente …And The Pioneer Saboteurs. Porque tenho saudades de ouvir música de forma mais profunda.

micah p. hinson

Micah P. Hinson And The Gospel Of Progress

“Quando surgiu com And The Gospel Of Progress, a crítica curvou-se em reverência, e que não haja espaço para ilusões: aos 23 anos, Micah arrastava já um baú cheio de histórias de vida para explorar na sua voz rouca e áspera. A forma com nos canta a vida, as ilusões e desilusões, as promessas e as traições demonstra que a maturidade tem muito menos a ver com a idade do que aquilo que se poderia prever.” Ler mais aqui.

foge foge bandido

Tinha planeado escrever sobre o Manel Cruz e o Foge Foge Bandido, mas descobri que não tinha palavras suficientes – ou competentes.

Foge Foge Bandido é do mais original que já se produziu em Portugal nos últimos anos (objectivamente, não vale a pena porem isto em causa) e não falo apenas em termos de música. Foge Foge Bandido é mais do que a música que habita os dois álbuns que o compõem (o amor dá-me tesão e não fui eu que estraguei). É uma obra una e coesa, ancorada num livro ilustrado pelo próprio, ao jeito de scrapbook, construída ao longo de dez anos – tantos quantos foram necessários para chegar ao ponto em que a conhecemos -, que foge a rótulos.

Foge Foge Bandido são as vivências dele e dos que o rodeiam a misturarem-se nas nossas, a darem-lhes voz. É tudo tão espontâneo, que é difícil não nos sentirmos parte do processo criativo.  Mas isto é tão tolo, quanto egoísta.

Houve um tempo em que conseguia seleccionar as preferidas facilmente, agora é mais difícil. Assim sendo, ouçam-no por completo. Para começar, abram o site www.fogefogebandido.com e deixem-no ficar (a tocar).

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

foge foge bandido

O Foge Foge Bandido foi um namoro de acasos, descobrir a música das pessoas e não dos músicos e atribuir ao tempo a tarefa de seleccionar o material. Foi tentar ao máximo expressar o processo, com a consciência, claro, de que o acaso se estende ao próprio entendimento desse processo e de que se calhar não percebi nada. (Manel Cruz)

deftones

O White Pony marcou-me a adolescência – não toda, a recta final, aquela altura em que definimos quem vamos ser nos próximos anos (não para sempre). Sujo e violento, melancólico. Descobri-o através da “Change (In The House Of Flies)”, na banda sonora do Queen Of The Damned – como os gostos mudam pelo caminho -, e foi a primeira vez que ouvi Deftones de forma consciente. Não morro de amores pelos restantes álbuns, mas continuo a ouvir o White Pony e fiquei muito contente quando surgiu a oportunidade de estar presente no Optimus/ MySpace Secret Show (sem ter de ir dormir à porta do Tivoli).  Devo acrescentar que do último álbum só conheço um tema, o “CMND/CTRL”, apesar de ter sido ouvido muitas vezes cá por casa nos últimos tempos.

sílvia dias/ festivaispt
sílvia dias/ festivaispt
sílvia dias/ festivaispt

O concerto foi muito bom. Curto (cerca de uma hora e um quarto), como já estava à espera, mas óptimo. Queria mais do White Pony, no entanto. Para saberem mais sobre o concerto, o melhor é lerem a reportagem do Gonçalo para o FestivaisPT. Aproveitam e vêem as minhas fotografias… há dois anos que não fotografava um concerto. E sabe tão bem.

sílvia dias/ festivaispt

sílvia dias/ festivaispt

sílvia dias/ festivaispt

resumo da semana

Esta foi uma semana de concertos. Bons concertos, com uma menção especial para Foge Foge Bandido, na Aula Magna. Faço uma vénia ao Manel Cruz e companhia, foi o melhor concerto que já vi este ano. Para o meu entusiasmo conta muito, certamente, a minha admiração de longa data por ele e pelos seus projectos. Há muito tempo que não estava tão ansiosa por um concerto.

Lisa Germano + Phil Selway no Pequeno Auditório do CCB, terça-feira

Gostei muito da Lisa Germano, que não conhecia e devia. Gostei menos do Phil Selway, em termos musiciais. Ainda bem que tem os Radiohead porque não creio que terá grande sucesso a solo. Podem ler mais sobre o concerto no FestivaisPT, para onde escrevi a reportagem.

Foge Foge Bandido na Aula Magna, quinta-feira

Estava muito curiosa: como é que seria o Foge Foge Bandido ao vivo? O facto de ser composto por dois álbuns – O Amor Dá-me TesãoNão Fui Eu Que Estraguei -, cada um com 40 temas, torna, por si só, a tarefa complicada. A piorar está ainda o facto de serem tudo menos convencionais (cacofonias, conversas, um sem número de instrumentos e todos os objectos que possamos imaginar que façam som). O resultado ao vivo foi perfeito e fiel. O Manel Cruz e os quatro músicos que o acompanhavam (não consegui apontar os nomes), conseguiram reproduzir ao vivo o espírito do projecto. Tocaram imenso, mas mesmo assim, estava sempre a desejar que o concerto não terminasse.

David Fonseca no Coliseu, sexta-feira

Foi a quarta vez que vi o David Fonseca ao vivo e não há margem para dúvidas – ele nasceu para estar no palco. Um concerto do David Fonseca não vale só pela música, vale muito pelo próprio espectáculo, sempre cheio de surpresas e pormenores originais. De qualquer forma, não foi o melhor concerto que vi dele. Prefiro o que deu há dois anos no Coliseu ou o de há quatro anos (!) na Aula Magna, por exemplo. O facto de achar que o último álbum, que dá nome à tour – Between Waves –  fica um pouco aquém dos anteriores (especialmente do Dreams In Colour), é um factor importante. Tem temas muito bons, mas no conjunto não me encantou.

Nota: As fotografias são todas do FestivaisPT:

.:: Lisa Germano + Phil Selway: Gonçalo Sítima (ver mais)

.:: Foge Foge Bandido: Rui Evaristo (ver mais)

.:: David Fonseca: Vasco Pereira  (ver mais)

o nome

No início foram os Radiohead. Estávamos em 2004, se bem me lembro, quando o Filipe me enviou a True Love Waits. É desde essa altura uma das minhas músicas fetiche.  Simples, quase crua. Arrepiante. Mas a letra é o mais importante.

“I’m not living/ I’m just killing time” sempre me intrigou. Naquela altura, serviu como despertador para o estado de dormência em que andava. Fui investigar e cheguei a mortigi tempo, nome pelo qual também chegou a ser conhecida a True Love Waits e nome de um fórum dedicado aos Radiohead. Na realidade, a expressão completa é ne porvivajo nur mortigi tempo, que é esperanto e significa exactamente “I’m not living I’m just killing time”. Li algures que era (também) uma citação do livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, mas não consegui confirmar a informação.

O tempo angustia-me e é uma temática constante em várias coisas que escrevo e até na fotografia. Imagino que angustie todos os procrastinadores, como eu. Mortigi tempo, ou ne porvivajo nur mortigi tempo, ajuda-me a despertar e agir (ou algo assim).

Explicada a origem do nome, deixo-vos com a True Love Waits, que vale muito a pena. Podem encontrá-la no I Might Be Wrong: Live Recordings. Tal como o nome indica, é ao vivo, mas ao contrário dos restantes temas do álbum, a True Love Waits não faz parte de nenhum registo de estúdio.

Para ficarem a conhecer ou relembrarem:




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