arquivo de viagens

diário de viagem #8 – zagreb e o regresso

A viagem até Zagreb foi mais sossegada do que a em sentido contrário. E mais triste também. Chegámos cedo à estação de Ljubljana, com tempo para as últimas conversas e as despedidas. Tivesse eu mais facilidade em expressar emoções e teria conseguido transmitir de uma forma mais real o quão agradecida estava pela forma como nos receberam e o quanto tinha gostado dos dias ali passados :)

Em Zagreb, aproveitámos para ver outras zonas da cidade, que nos levaram a concluir que não vale a pena lá voltar. É bonita, sim, cheia de edifícios imponentes e trabalhados, mas é também bastante suja e desleixada (como às vezes Lisboa me parece também…). O que mais gostei foi encontrar uma loja/ galeria de arte, onde vendiam peças feitas por toda a Croácia, entre elas máscaras que, à primeira vista, diria que vinham de Veneza. Eram tão bonitas e perfeitas que não resisti em comprar uma.

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Voámos para Munique num avião ainda mais pequeno do que da primeira vez, mas o pior foi a chegada à Alemanha. Tivemos de passar novamente pela revista de segurança, onde eram extremamente minuciosos, ao ponto de me pedirem para mostrar a máquina fotográfica a funcionar e abrir a objectiva que não estava a ser utilizada. Como todos os passageiros que ali estavam iam apanhar outros voos, a confusão instalou-se, com pessoas a resmungar em várias línguas e várias a quererem passar à frente porque iam perder o próximo voo (risco que também nós corremos, não fosse o nosso voo para Lisboa estar atrasado).

Chegámos a Lisboa às 22 horas e fomos recebidos por um calor intenso. No táxi ficámos a saber que os últimos dias tinham sido insuportáveis. Em Ljubljana, naquela altura, estava a chover.

diário de viagem #7 – despedida de ljubljana

Num instantinho, chegámos ao último dia na Eslovénia. No dia seguinte tínhamos de apanhar o comboio às 8h15 para Zagreb, pelo que estas eram realmente as nossas últimas horas por ali.

Para variar, não tomámos o pequeno-almoço em casa da Ana e do Paulo (onde provámos pães diferentes todos os dias!) e fomos todos ao Le Petit Café, de inspiração francesa e com uma decoração adorável.

Essa manhã foi passada a tratar de assuntos práticos, como comprar os bilhetes de comboio, postais e selos (e escrever e enviar). Pelo meio, passámos pelo mercado para experimentar uma máquina maravilhosa que por lá há: a Mlekomat! A Mlekomat dá leite do dia, fresquinho e saboroso. Mesmo saboroso! Já a conhecíamos, por causa de um vídeo que a Ana publicou há uns quantos meses atrás (vejam aqui), mas durante toda a semana lá passada nunca nos tínhamos lembrado de experimentar. Gostámos tanto que eles compraram um litro para acompanhar o pequeno-almoço do dia seguinte – o nosso último pequeno-almoço de férias.

le petit café

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le petit café

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a entregar o correio

À tarde fizemos uma última viagem, até Škofja Loka, uma aldeia medieval cheia de frescos nas paredes das casas e uma igreja no cimo de uma colina verdejante.

škofja loka

škofja loka

škofja loka

Ver chegar a noite foi o mais difícil. Começar a fazer as malas era a confirmação de que já tinha passado uma semana, por mais incrível que nos parecesse. No dia seguinte tínhamos uma longa viagem pela frente, até chegar a Lisboa. Partir significava deixar para trás amigos acabados de fazer e todos os locais de que tanto gostámos, com a sensação de que havia ainda imenso que podíamos ver e fazer. Regressar também não nos entusiasmava muito porque significava começar a fazer as mudanças de casa…

diário de viagem #6 – kranjska gora, vršic e o vale do soca

Foi um dia inteiro de viagem, com várias paragens e sempre acompanhados por paisagens que nos deixam sem palavras.

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para mim, a Eslovénia é verde

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a capela construída por soldados prisioneiros russos, durante a Iª Guerra Mundial, em memórias dos que morreram numa avalanche na construção de uma estrada, sob ordens dos austríacos

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dizem que as rochas formam um rosto, mas eu não o consegui ver

(fotografia da Ana Campos)

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chá de ervas que crescem nas montanhas, muito doce. a rapariga que nos atendeu no único restaurante da zona não nos soube dizer mais sobre ele : )

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o rio Soca é mesmo assim, azul-piscina

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há sempre flores nas janelas

diário de viagem #5 – inception

Depois de dias com imenso calor, acordámos com o som da trovoada e da chuva. E o que é que apetece fazer com este tempo? Vestir um casaco mais quentinho, almoçar num restaurante asiático e passar a tarde no cinema :)

Foi a primeira vez que fui ao cinema no estrangeiro. Na Eslovénia, tal como em Portugal, os filmes são legendados, mas mesmo assim, as legendas numa língua que não entendemos atrapalham sempre.

Fomos ver o Inception, de que gostei bastante. Já viram?

Ao final da tarde fomos ao supermercado, onde se compram os melhores souvenirs.

diário de viagem #4 – piran, grutas de škocjan e o castelo de predjama

Piran fica na estreita costa eslovena, junto às águas do Mar Adriático e “entalada” entre as fronteiras da Croácia e Itália. É uma cidade pequena e simpática, muito ao jeito dos típicos bairros lisboetas, com ruas estreitas. A sua principal atracção, pelo que percebi, são as praias. Ou melhor, as “praias”, que mais não são que filas de rochas junto à água, ou, na melhor das hipóteses, uma zona cimentada, para se poderem deitar mais à vontade. Devido à proximidade geográfica, a segunda língua da cidade é o italiano e até os nomes das ruas estão escritos nas duas línguas.

A nossa visita a Piran resume-se a longas caminhadas pelas ruas e à beira mar e um óptimo almoço no único restaurante do país, onde estivemos, onde não falavam inglês. Escolher os pratos não foi simples :)

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De Piran partimos rumo às grutas de Škocjan, que foram das coisas mais impressionantes que vimos nesta viagem. Infelizmente, mas compreensivelmente, não era possível tirar fotografias lá dentro, por isso será difícil explicar o que se vê e sente dentro destas grutas formadas pela força do rio Reka (que em português seria rio Rio). Vejam a fotogaleria disponível no site oficial :)

A última paragem foi no castelo de Predjama, que foi construído encostado a uma montanha, entrando dentro dela. O seu dono chamava-se Erazem Lueger e era uma espécie de Robin Hood, do século XV. Durante a guerra entre os húngaros e os austríacos, Lueger apoiava os primeiros e era perseguido pelos segundos, conseguindo escapar sempre devido às grutas nas traseiras do castelo, que conhecia como ninguém. Mas um dia foi traído por um criado e morreu sentado na sanita, ao ser atingido por uma bala de canhão.

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diário de viagem #3 – bled e bohinj

E ao terceiro dia voltámos a viajar, desta vez para conhecer Bled e Bohinj. A Eslovénia é um país pequenito, por isso é fácil visitar várias zonas fora da capital. Principalmente quando se tem anfitriões como a Ana e o Paulo, que foram incansáveis.

O dia começou com (mais) um passeio por Ljubljana e uma visita ao castelo, o ponto central da cidade, mas que não me impressionou muito. Possivelmente por estar organizado de uma forma que achámos algo confusa, tendo-nos escapado algumas coisas. De qualquer forma, tem uma vista espantosa sobre a cidade.

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Antes de partirmos para novas descobertas, almoçámos num restaurante dedicado à comida típica do país, o Sokol. Apesar do calor, seguimos os conselhos da Ana e do Paulo e começámos pela sopa de cogumelos servida uma taça feita de pão. É deliciosa e foi o que mais gostei de comer ali :) Depois pedimos um estufado de vitela, uma das especialidades, que tem um sabor familiar, e um outro prato típico composto por uma salsicha Krvavica, que parece morcela, e couves e nabos cortados às tirinhas, que nos pareceram ser cozinhados em vinagre – e que eram intragáveis. Para a sobremesa, provámos o Prekmurska gibanica. Pela descrição dada pelo guia (“a calorific concoction of pastry filled with poppy seeds, walnuts, apples and/or sultans and cheese and topped with cream”) e pelos avisos da Ana e do Paulo, devia ter percebido que a experiência não ia ser deliciosa, mas decidi arriscar. Não me convenceu.

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estufado

krvavica

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Sair de Ljubljana é entrar directamente no campo e foi com uma paisagem encantadora que viajámos até Bled.

Bled é especial, com o seu lago de águas muito azuis e uma pequenina ilha no meio com uma igreja. Demorámos cerca de duas horas e meia, mas demos a volta completa ao lago a pé (são cerca de seis quilómetros!). Pelo caminho encontrámos imensos turistas a apanhar sol e a nadar. Numa montanha encostada ao lago, no cimo de um rochedo, está o castelo de Bled.

Dali partimos para Bohinj. Bohinj não é o nome de uma cidade, mas de todo o vale, dominado por um enorme lago glaciar. Enquanto que em Bled temos plena noção dos limites, ali poderíamos pensar que estávamos perante um rio. Também não é um espaço tão explorado turisticamente. Nas redondezas, podemos visitar a Igreja de São João Baptista, que é, provavelmente, a igreja mais macabra onde já estive. As paredes estão decoradas por frescos sobre a decapitação de São João Baptista e num altar está a cabeça do próprio, esculpida em madeira. Mais bonita é a estátua de Zlatorog, mesmo junto ao lago Bohinj, um veado de cornos dourados, cuja lenda podem ler aqui.

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diário de viagem #2 – ljubljana

Segundo o nosso guia da Lonely Planet (que recomendo vivamente!), Ljubljana “almost means ‘beloved’ (ljubljena) in Slovene”, e isso parece-me perfeitamente normal. Ljubljana conquistou-nos logo no primeiro dia. É verde, muito verde. Desde as árvores e jardins, um pouco por todo o lado, até ao rio. A bicicleta é o principal meio de transporte e é possível ir a quase todo o lado a pé. Os edifícios são todos bonitos, as ruas são todas limpinhas e “arrumadas”. Pareceu-me um paraíso citadino!

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junto à praça principal, a Prešernov

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existem muitos espaços assim

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este fica na Miklošiceva, junto à praça principal. foi desenhado por Ivan Vurnik, sendo que os padrões coloridos foram pintados por Helena, sua esposa, em 1922.

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o rio Ljubljanica

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a “casa” da Ópera, que estava em obras

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este é um dos edifícios de que mais gostei. é onde funciona a embaixada os Estados Unidos.

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no parque Tivoli, o maior da cidade, junto a uma esplanada sossegada

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no edíficio da Universidade, a definir os próximos passos do passeio

diário de viagem #1 – zagreb

O primeiro dia foi sobretudo longo. Levantámo-nos ainda não eram 4 horas e às 4h30 já estávamos num táxi, a caminho do aeroporto – até ao destino final, Ljubljana, foram quase 18 horas.

O voo dividiu-se em duas partes, com direito a duas passagens pelo controlo de passaporte (que no nosso caso é apenas o cartão de cidadão), Lisboa – Munique – Zagreb. De Munique a Zagreb viajámos num avião minúsculo – suspeito que isso se deva também ao tamanho do próprio aeroporto de Zagreb. Pouco passava das 13 horas quando aterrámos e depois de passar pela segunda inspecção de identificação, fomos ao posto de turismo do aeroporto, que é óptimo. Deram-nos um mapa, onde assinalaram todas as informações de que precisávamos, e um pequeno guia turístico em português, o que achei muito simpático.

A viagem até à cidade não foi animadora… os subúrbios de Zagreb nada têm de bonito, muito pelo contrário. São compostos essencialmente por prédios altos com um ar escuro e inacabado. Não há nada a embelezar aqueles espaços. Só quando trocámos o autocarro por um eléctrico que nos levou até à estação de comboios – que fica mesmo no centro da cidade – é que as coisas mudaram de figura. Até ali estava bastante desmoralizada, a pensar que não teria nada para fazer durante as horas que nos separavam da partida do comboio para a Eslovénia.

Zagreb é uma cidade bonita, pelo menos até onde conseguimos ver. Começámos pela estação ferroviária, que é enorme, com imensos comboios a partir a todas as horas. Os sistemas de bilhetes é que ainda são pouco desenvolvidos – o nosso era de longo curso, em direcção a um outro país e foi feito à mão, com direito a papel químico e tudo. A única coisa que percebíamos nele é que era para Ljubljana.

O passo seguinte foi procurar um sítio onde almoçar, o que não foi fácil. Seguimos pela rua principal, a Praška, sem encontrar nada, para além de padarias. Quando chegámos à Trg bana Josipa Jelacica (Trg significa Praça, ou algo semelhante, o resto não faço ideia) estávamos mais do que esfomeados e acabámos por almoçar num restaurante com um ar pomposo e comida deliciosa – o Klub Književnika. Depois demos um pequeno passeio pelas redondezas, comprámos pães desconhecidos para a viagem (que pensávamos serem doces e afinal eram salgados) e regressámos à estação.

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edifícios cheios de pormenores

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muitas padarias

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O comboio era velhinho, mas confortável. Desconfortável foi o tempo que os revisores (não sei o que lhes chamar…) passaram a olhar para os nossos cartões de cidadão, quer em Zagreb, quer quando atravessámos a fronteira para a Eslovénia. Olhavam-nos de alto a baixo, olhavam para a frente e o verso do cartão inúmeras vezes, faziam caretas e depois lá se iam embora.

Toda a viagem na Eslovénia é bonita. Quando chegámos a Ljubljana já era hora de jantar e lá estavam a Ana e o Paulo à nossa espera :)

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copenhaga em postais

Ele passou três dias em Copenhaga, em trabalho, e eu recebi imensos postais. Assim vale a pena! ;)

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Vor Frelsers Kirke (significa algo como A Igreja do Nosso Salvador), em Christianshavn. Christianshavn é um bairro construído numa ilha artificial, em Copenhaga, no século XVII, pelo rei Christian IV. A igreja, do estilo barroco, é uma das principais atracções turísticas dinamarquesas.  E o postal é magnífico.

den lille havfrue af edvard eriksen

A Pequena Sereia, de Edvard Eriksen, é inspirada no conto de Hans Christian Andersen. É um ícone do país. A fotografia parece um bocado falsa, no entanto…

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Esta zona de Copenhaga chama-se Nyhavn. A Wikipédia diz que em português significa Porto Novo e que é uma zona muito popular da cidade, onde quase todos os edíficos foram ocupados por bares, cafés e restaurantes.

lars bech/ urban living

Durante a estadia por terras dinamarquesas, ele teve a oportunidade de jantar num dos restaurantes mais conceituados da zona, premiado com uma estrela Michelin, o The Paul. De lá, trouxe-me vários postais gratuitos, reproduções de obras de arte, como este e os próximos. Gostava de encontrar postais destes por cá. Este é do fotojornalista dinamarquês Lars Bech e chama-se Urban Living.

mie jensen/ nesting #1Mie Jensen é uma artista dinamarquesa, a viver em Copenhaga. Mie trabalha com vários materiais, tais como fotografia, desenhos, textos e objectos. Este chama-se Nesting #1.

linda hansen/ sheep

A autora chama-se Linda Hansen e a obra Sheep. Como os outros, é uma fotógrafa dinamarquesa.

sara glahn/ german #1

Sara Glahn escolheu esta fotografia para a homepage do seu site. Chama-se Germans #1.

claudia munkeboe/ escadas do codeçal +3

Deixei esta para o final por nos ser familiar. A fotógrafa é Claudia Munkeboe e a imagem é das Escadas do Codeçal, na Sé do Porto. É um trabalho composto por mais três fotografias.

madrid

A minha relação com Madrid é atípica e assim foram as minhas duas visitas à cidade. O Gonçalo morou lá durante nove meses, no nosso último ano de faculdade, por isso todas as minhas recordações sabem, verdadeiramente, a nostalgia. Vivi Madrid de uma forma diferente, através dos olhos de um quase morador. Nunca fiz planos, nunca tracei trajectos. Deixei-me guiar pelas ruas. Não percorri a cidade freneticamente, tentando não deixar escapar nada. A minha vivência em Madrid foi feita de passeios lentos pelas ruas, paragens aqui e ali para visitas turísticas, manhãs ou tardes longas pelo Retiro. Iamos às compras ao mercado e enquanto eu lavava a loiça acumulada, o Gonçalo e os seus companheiros de casa cozinhavam. Eram refeições internacionais, com o espanhol e o inglês a misturarem-se conforme era conveniente. Talvez por isso goste tanto de Madrid.

Gostava de morar em Madrid durante um ano ou dois, mas não sei se alguma vez será possível. A única certeza que tenho é que visitarei novamente a cidade, o mais brevemente possível. Desta vez com um guia na mão. Quero rever as ruas que me apaixonaram e ver tudo o que deixei escapar.

madrid

madrid

madrid

madrid

~.~

Há o cheiro de objectos por estrear. Há o som do corrupio citadino, que nunca cessa. Há a memória de todos os passeios. A ausência de relógio no pulso e de meios de comunicação operacionais.

O tempo fizemo-lo nós e não havia mais ninguém para contactar.

Há uma imagem que se guarda de um tempo que tarda.

Eu e tu.

27 de Dezembro de 2007

[Originalmente publicado em lightparadox @ deviantart]




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